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Vanessa introduce herself.

Já estava perdendo a paciência e o equilíbrio. Já era complicado ser mulher em uma frota de homens geralmente arrogantes, ainda mais judia na pátria do antissemitismo e ainda por cima parecer ser o completo oposto de bem vinda. Vanessa já estava de braços cruzados, cogitando a ideia de desistir daquela missão e arcar as consequências em seu país quando os passos de um oficial.    Oficial...     - Pensou. -    É agora que estou definitivamente ferrada mesmo.     Revirou os olhos e viu a arrogância com que o oficial tratava seu subordinado. Parecia ser algo tipicamente alemão, não que os italianos fossem sutis em tempos de guerra. Ao ver o oficial dirigir a palavra a ela, Vanessa apertou a mão dele, um tanto firme e acenou com a cabeça.
 -   Vanessa Cohen, Ufficiale.     Restrigiu suas palavras e o seguiu sem pestanejar. Parecia uma mulher firme, porém em seu interior o medo do fracasso a inundava. Entrou no carro do coronel, na parte traseira do mesmo e cruzou as pernas e as mãos sobre elas. -    Da quanto tempo sei aspettando me? Deve informare il Duce che sono qui. *    Dirigiu seriamente a palavra a ele, em italiano, esperando que ele soubesse; caso contrário, seu alemão medíocre a sufocaria.



*Há quanto tempo estão me esperando? Devo informar ao Duce** que estamos aqui.
** Benito Mussolini, ditador italiano.

Wilhelm entra em cena.

O som dos passos eram audíveis à longa distancia, os passos rápidos do alemão faziam com que grande parte dos soldados que compunham o local se movesse mais depressa, até que a silhueta do coronel se projetou até próximo do escritório de comunicações.    Wilhelm, Mussolini está querendo saber de sua agente que foi enviada a nossos cuidados, e não consta em registro algum que ela chegou. Está mais de três horas atrasada e sabe muito bem que o Führer não gosta de atrasos! O primeiro local que ela deveria passar é por sua base. Aguardamos explicações, orbest.     O coronel manteve-se imóvel, enquanto ouvia as palavras de seus companheiros ao telefone.      – Entendo perfeitamente onde quer chegar Tenente-Coronel, talvez devesse ligar para Mussolini e ver se a agente não está ainda na Italia... E não me ocupe com questões tão inúteis, tenho coisas bem mais importantes para fazer, do que cuidar de uma senhora que está com dificuldades pra escolher seus calçados. –     
E bateu o telefone com força, não demorou para seus passos se dirigirem até o tenente que cuidava das comunicações do local.      – Tenente... Caso não deseje ir para o Front amanhã, envie tais ligações para meu escritório... Além de perder tempo atendendo esse tipo de gente, ainda me faz perder todo o tempo pra chegar até essa sala... Se isso se repetir novamente, Ah... Deseje que não aconteça. –     Falou rispidamente, girando seus calcanhares e caminhando depressa em direção ao seu gabinete, não deram dois minutos, quando recebeu nova ligação, seus olhos reviraram e ele atendeu o telefone.    Temos uma mulher na barreira, o soldado se recusa a...    
E mal terminou de falar, o telefone foi batido novamente. Wilhelm empurrou a cadeira e caminhou depressa, desceu as escadas o mais rápido que pode, fazendo suas botas ecoar novamente pelo local, usava seu militar, somente estava sem quepe, mantendo o cabelo repartido na lateral. Subiu em seu carro e em poucos minutos estava na barreira. Seus olhos se passaram pelo soldado que batia continência pra ele, Wilhelm saiu do carro sem desliga-lo.      – Olá soldado... Gustav... –     Falou olhando pro nome no peito.      – Sabe que essa mulher foi enviada diretamente de nosso bom amigo, Mussolini? Sabe que está aqui pra receber ordens e que jurou lealdade ao Führer? –      O homem tremia e suava enquanto olhava pra Wilhelm, simplesmente movimentava a cabeça positivamente.
       – Não quer uma mulher em nossa base, pelo o que sei... Pois bem, é o novo encarregado dela, deverá fazer todos os favores que forem necessário pra estadia dela ser mais confortável aqui... Entendido? –      O soldado bateu continência e o outro soldado se colocou no lugar do que estava na barreira. Gustav já se posicionava em frente da mulher, aguardando alguma ordem. Wilhelm se aproximou dela, estendendo a mão.      – Coronel Stauffenberg, estávamos ansioso para sua chegada, por favor me acompanhe. –      Não esperou qualquer resposta dela e já caminhou em direção do carro, não havia sequer olhado pra mulher enquanto esteve falando com ela, seus olhos passeavam pelo horizonte, o dia estava lindo. Ao entrar no carro, pode perceber a mulher se aproximando, tinha lindas curvas e vestia-se de forma incrivelmente sexy, ao menos para os olhos do coronel. 

Deutschland, 14 april 1940.

-   Como assim? Alemanha? Todos sabem que sou judia. Hitler vai me matar se eu for para lá! -     Vanessa gritava com desespero em frente aos seus superiores, todos fardados de acordo com as mais altas patentes do exército do Duce. -   Não estamos pedindo, Vanessa. Você vai. Despeça-se de sua família e esteja as 19hrs na base aérea. Se não estiver...Você preferirá estar nas mãos de Hitler.     Dizia o coronel Juliano. Aquele comentário a fez estremecer. Ainda não era divulgada para as massas as atrocidades de Hitler, mas o departamento de guerra italiano já sabia através de suas escutas o que o mesmo já realizava em suas ocupações. (...) No horário marcado, lá estava. Malas nas mãos, vestindo um terno feminino negro com scarpins e sobretudo bege, bem amarrado em sua silhueta. Os cabelos presos num coque por debaixo do quepe e apenas um batom suave disfarçando os lábios inchados de tanto mordê-los. Nervoso. Em menos de três horas dentro de uma aeronave de guerra estaria em solo alemão, em parte para ajudar, mas também temendo por sua vida.
 -  Meu nome é Vanessa, e sou enviada do exército italiano para negociar contra os ingleses.      -      Quem te enviou, moiçola?     Questionou o soldado na porta do centro de inteligência alemã, tão vermelho que denunciava seu mal humor. -   Il Duce. Agora me permita entrar?     Respondeu a mulher à altura, um tanto grosseira e já vermelha por mais de meia hora de interrogações sem sentido. Temia por si, resolvendo então fazer seu trabalho para que pudesse se manter por ali

"Se você ler essas linhas, não lembre-se da mão que a escreveu. Lembre-se apenas do verso, o choro sem lágrimas do compositor por quem eu tenho dado a força e isso se tornou a minha própria força. Moradia confortável, colo da mãe, chance para a imortalidade, onde ser querido se tornou uma emoção que eu nunca conheci. O doce piano escrevendo minha vida. Ensine-me a paixão, pois temo que ela tenha partido. Mostre-me o amor, proteja-me da tristeza. Há tanto que eu gostaria de ter dado àqueles que me amam. Eu sinto muito. O tempo dirá esse amargo adeus. Eu não vivo mais para envergonhar nem a mim, nem a você.
E você? Desejaria não sentir mais nada por você..."



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