"Doce era quando você dirigia e tua mão, por um doce instante buscava a minha, segurando-a com força e fazia acontecer como se nada pudesse me derrubar. Doce era o momento em que seu olhar fugia da imensidão da estrada e se voltava pra mim, como se buscasse ter a certeza de que eu estava ali, atenta a qualquer movimento teu. E depois, com um olhar maroto, típico seu, me soprava um beijo com ternura, prontamente correspondido.
Talvez seja esse o significado de Geborgenheit. A tal segurança de que nada ruim pode acontecer se estivermos assim, tão próximos como devemos estar. Tão presos e perdidos num paraíso que nos fez nos achar. "
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Unknown
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
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"Eu o contei um segredo." Foi tudo o que ela disse antes de abrir os olhos e adormecer em seu despertar. Havia velado seu sono difícil durante toda a noite: respiração descompassada, suor frio, movimentos bruscos, resultados de uma febre causada por um simples resfriado, mas que tirava minha frágil paz.
- Você está aí ainda? - Murmurou uma Catherine enfraquecida e ainda sonolenta. Logo tentou se sentar, o que não permiti que fizesse. Envolvi-a com sutileza e deitei-a novamente. - Sim, minha querida. Fiquei ao teu lado a noite inteira. - Respondi enquanto lhe acariciava os cabelos. Seus suaves olhos, tão verdes quanto a mata fechada, se fecharam novamente. Murmurava:
- Eu o vi novamente. Parecia tão belo à dançar na luz da lua... Dançava como um mago que saúda a terra como uma rainha. Parecia um cigano ao redor de uma fogueira, movendo-se como as chamas do próprio fogo que criou. Ele me chamava com os olhos, como hipnose. Como mágica. Eu não sentia medo apesar de não conhecê-lo. Era como se eu me desse conta que eu sabia tudo sobre aquele estranho, mas que precisava somente relembrar. Haviam tantas distrações por perto, mas ele se concentrava em mim. Apenas em mim. Aqueles velhos olhos castanhos, transparentes como água, me mostravam isso. Ele me revelou seu nome, tão guardado quanto os segredos de uma dinastia Inca. Soava como a música do vento ao bater nas folhas das árvores. Era tão breve quanto o pio de um jovem passarinho. Queria levar-me para seus braços, para sua terra, mas julguei ser cedo e me retrai. Aquele deus de pele bronzeada, típica do mediterrâneo, envolveu-me em seus braços, entoou-me uma canção em uma língua desconhecida e adormeci, entregando meus sonhos e fantasias àquelas fortes mãos. Mas, antes de despertar em meu adormecer, eu o contei um segredo...
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La Comtesse
domingo, 14 de outubro de 2012
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Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás. Então eu pego o passado, e transformo em poesia-ou-coisa-assim.
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Unknown
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
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That's the last tear I give to you. And happiness in your marriage.
O inverno dentro de mim congelou tudo que sinto, menos a visão de seu rosto, que é como o ultimo fogo acesso na escuridão completa, que queima sem parar internamente causando dores quase insuportáveis.
Estou sangrando, lenta e dolorosamente, mas mesmo assim não alivia minha dor. Minha pele ferida em vão não diminui o sofrimento e agonia.
Como algo tão tenro e belo pode causar tanta dor? Como o mais belo dos anjos consegue destruir o pouco que restava em mim?
Penso se devo ir um pouco mais fundo em minha pele. A linda visão do sangue jorrando pode ser o suficiente para me acalmar, mas também pode ser o suficiente para me matar.
Agora contemplo o nada que me tornei. Uma sombra do que já fui no lugar de quem eu era. O sangue correndo nas veias e o coração pulsando não indicam mais que estou vivo e sim apenas que ainda não morri.
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Sopнιє Sαιɴт-Clαιг Nєvєυ ®
sábado, 8 de setembro de 2012
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Em algum lugar do grande mundo, sentada no piano do bar de um hotel, alguém fechou os olhos e tocou os primeiros acordes de uma canção. Uma canção escrita pelo coração que não se conformava. Uma canção que ignorava as suas próprias barreiras. A língua era uma forma de mostrar isso, já que não era sua língua materna, nem uma que fosse fluente. A forma com que tocava e cantava, parecia que o salão estava vazio, exceto pela taça de vinho que havia pousado sobre o piano. Mas também parecia que cantava para alguém que não estava ali. Alguém que não sabia onde estava. Não parecia louca, parecia apenas buscar uma conexão por telepatia e fazer alguém sentir o que ela queria dizer, estando longe ou perto.
Nada havia sido escolhido ao acaso. Nada havia sido escolhido. Em tudo há um significado concreto, esperando para ser desvendado. Em tudo há um clamor, uma vida. Uma vida que saía de um olhar direto para um coração. 'You look at me and life comes from you.'
Forse bastava respirare Talvez bastasse respirar
Solo respirare un pò Só respirar um pouco
Fino a riprendersi a ogni battito Até recuperar cada batimento
E non cercare l'attimo E não procurar o momento
Per andar via De ir embora
Non andare via Não vá embora
Perchè non può essere abitudine Porque não pode ser um hábito
Diciembre senza te Dezembro sem você
Chi resta qui Que permanece aqui
Spera l'impossibile Espera o Impossível.
Invece no Mas não
Non c'è più tempo per spiegare Não há mais tempo para explicar
Per chiedere se ti avevo datto amore Para perguntar se te dei amor
Io sono qui Eu estou aqui
E avrei da dire ancora E tenho de dizer
Ancora ainda
Perchè si spezzano tra i denti Porque ficam entre os dentes
Le cose più importanti As coisas mais importantes
Quelle parole che non osiamo mai Aquelas palavras que não usamos nunca
E faccio un tuffo nel dolore E faço um mergulho na dor
Per farle rissalire e riportarle qui Para traçá-las e trazê-las aqui
Una per una qui Uma por uma aqui
Le senti tu? As suas sensações
Pesano e si posano Pesam e pousam
Per sempre su di noi Para sempre sobre nós
E se manchi tu E se sinto sua falta
Io non so riperterle Eu não sei repetir
E non riesco a dirle più E não posso dizer mais.
Invece no Mas não
Qui piovono i ricordi Aqui chovem as lembranças
Ed io farei di più E eu teria de fazer mais
Di ammettere che è tardi Para admitir que já é tarde
Come vorrei poter parlare Como gostaria de poder falar
Ancora ancora Ainda, ainda.
Invece no non ho Mas não, não tenho
più tempo per spiegare Mais tempo para explicar
Ch avevo anch'io E eu também tinha
Io qualcosa da sperare Alguma esperança
Davanti a me À minha frente
Qualcosa da finire insieme a te Alguma coisa para acabar junto a você
Forse mi basta respirare Talvez me baste respirar
Solo respirare un pò Só respirar um pouco
Forse è tardi Talvez seja tarde
Forse invece no Mas talvez não
No meio da canção, a voz suave e levemente acentuada da mulher se esvaia, primeiro em suaves 'pulos', depois em sussurros, por último em um simples cantarolar. Os poucos que ali estavam podiam notar a emoção da desconhecida e podiam notar, não se sabe como, que era uma passagem de sua própria história, um dizer de seu próprio coração. Se houvesse pouco mais que um simples foco de luz, daria para perceber as lágrimas que jorravam como uma cachoeira silenciosa. Talvez pudessem ver nos olhos daquela imigrante que ela buscava com aquilo uma forma de tirar do coração o que já não aguentava mais recordar. Tirar do coração aquilo que ela sabia ser eterno, mas que tinha vontade de largar no chão e seguir. No fim da canção, ela obtinha a resposta. Depois de um profundo suspirar, ela sabia que não bastava apenas respirar.
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Unknown
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
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"Nas segundas-feiras estou sempre de ressaca, e os originais que chegam vão direto das minhas mãos trêmulas para o lixo. E nas segundas-feiras minhas cartas de rejeição são ferozes. (...) Se Guerra e Paz caísse na minha mesa numa segunda-feira, eu mandaria seu autor plantar batatas. Cervantes? Desista, hombre. Flaubert? Proust? Não me façam rir. (...) Certa vez recomendei a uma mulher chamada Corina que se ocupasse de afazeres domésticos e poupasse o mundo da sua óbvia demência, a de pensar que era poeta. Um dia ela entrou na minha sala brandindo o livro rejeitado que publicara por outra editora e o atirou na minha cabeça. Quando me perguntam a origem da pequena cicatriz que tenho sobre o olho esquerdo, respondo:
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Unknown
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
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" E quando vi o que tu te tornaste, meu bem, vi que o problema era apenas eu e decidi apenas me libertar. Rasguei tuas fotos, como quem rasga momentos e os joga ao ar. Bebi todos os vinhos que disseste um dia que eram deliciosos apenas em meus lábios e então, embriagada de ódio, de raiva, de amor, queimei todas as cartas que um dia te escrevi. De sol e lua, tu te tornaste Mercúrio, tão perto ao teu sol, e eu... me tornei apenas Plutão, que antes era astro, mas agora é apenas esquecido. "
"Se você ler essas linhas, não lembre-se da mão que a escreveu. Lembre-se apenas do verso, o choro sem lágrimas do compositor por quem eu tenho dado a força e isso se tornou a minha própria força. Moradia confortável, colo da mãe, chance para a imortalidade, onde ser querido se tornou uma emoção que eu nunca conheci. O doce piano escrevendo minha vida. Ensine-me a paixão, pois temo que ela tenha partido. Mostre-me o amor, proteja-me da tristeza. Há tanto que eu gostaria de ter dado àqueles que me amam. Eu sinto muito. O tempo dirá esse amargo adeus. Eu não vivo mais para envergonhar nem a mim, nem a você. E você? Desejaria não sentir mais nada por você..."